QUEM SOMOS NÓS- Alice Mendes

 

Taurina, pernambucana, beesha, judia e, acima de tudo, MULHER.  Amante da música e casada com o futebol. Historiadora por convicção, Esquerdista por vocação. Intempestiva e absolutamente apaixonada pela vida. Estarei por aqui discorrendo algumas linhas sobre o amor que me move: a música.

Observo mais do que falo, mas não costumo medir palavras quando abro a boca. Não grito, não sou dos berros, mas qual seria o problema se fosse??? Minha vida tem sido uma síntese das emoções e experiências que vivi e ainda vivo, e tudo isso vem aos embalos de uma trilha musical. Desde muito cedo a música a mim foi apresentada, e desde então viramos parceiras inseparáveis. Ela me guia, me amansa e me cerca das vibrações de cada dia.

Assim como a música, a política também balançou meu berço. Estava lá desde sempre, na minha infância nos corredores do diretório estadual do PCdoB, ou em meio as salas do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco, e isso veio a me nortear. Desde cedo tenho lado. Sou de toda esquerda.

Sou das minorias, e até por isso não me identifico e não apoio nenhuma pauta conservadora e que atenda aos grupos de poder. Beesha sim, mulher também. Da minha herança cultural judaica herdei a liberdade, a liberdade que me inspira e me dá folego. Nada me prende, nada me aprisiona, nem as ideias, muito menos os opressores. Sou um espirito eternamente em busca de liberdade.

Estarei aqui toda sexta-feira, falando sobre música e como elas traduzem toda essa liberdade e como indubitavelmente são a tradução dessa alma que aqui habita. Eu sou sonora. Durmam com esse barulho.

E trago Gal, versão 69, para sonorizar essas linhas. Cultura e Civilização – Gal Costa (1969), música da autoria do Mestre Gil.

Todas as águas hão de se encontrar e 2015 foi o tempo/espaço para isso. As minhas duas DIVAS de 2015 também poderiam ser as inspirações para uma vida inteira, ou para várias delas. E de música e de água elas tem muito dentro de si. Das tempestades a calmaria dos mares, elas encheram meu 2015 de sentido.

A primeira foi a Rainha dos Raios Alice Caymmi. O martelo de Xangô continua bem representado na família de Mestre Dorival. Em seu segundo trabalho, o álbum homônimo a alcunha que lhe denomina, Alice veio de cabeça, corpo e sintetizadores, fazendo de seu álbum o melhor que ouvi em 2015. A tempestade de Iansã a trouxe, e eu agradeço pela ventania de Oya.

Mas não é apenas pelo álbum fodastico que fez que Caymmi está aqui, presente nesse texto, mas sim por ser uma das figuras mais fantásticas da cena musical brasileira na atualidade. Tendo arranjos que vão dos psicodélicos anos 70, o cheiro do rádio dos 50 e os sintetizadores arretados que levam seu som a outro nível. Além disso, Alice não foge da raia quando o assunto é política. Nesse momento turvo que anda o cenário político nacional, Alice Caymmi já tratou de mostrar de que lado estar, e só para deixar claro aqui: NÃO VAI TER GOLPE.

A segunda, e não menos importante, me fez. É do amor dela que fui feita e sabe-se a quantos séculos venho sendo cuidada, incentivada e tendo o coração pulsando por ela. Andrea Mendes, minha mãe Kaya. Existem os amores que chegam em nossas vidas, já outros amores apenas voltam a dar as caras. Simplesmente a mãe que minha alma reconheceu nessa vida e em tantas outras, que foram e que virão.

Figurinista, cenógrafa, cantora (aposentada, segundo ela própria) e acima de tudo, uma historiadora africanista foderosa, Dona Kaya é a referência a qual minha alma aspira. Esquerdista, thompsoniana, filha do CECULT-UNICAMP e beesha. O Eterno não poderia ter me colocado em melhores braços nessa vida.  Ela é meu referencial e meu espelho de vida, a dona dos cabelos de prata é o que eu de fato quero ser quando essa tal maturidade bater à porta. Empoderada, tem no candomblé mais do que sua fé, mas sua vida, seus preceitos e sua formação. Dos oceanos vem sua força e beleza. Como já disse alguém certa vez, ela é dona do olhar mais amoroso que meus olhos já tiveram o prazer de contemplar. É a base que minha alma tomou para a eternidade.

Meus exemplos em 2015 são mulheres que ousaram dentro dos seus meios e espaços serem mais do que a sociedade deseja, mas precisa ver, precisar lidar e aprender. Mulheres empoderadas e que usam o impacto de suas atitudes como armas contra uma sociedade machista, heteronormativa e engessada em padrões patriarcais. São mulheres que quebram paradigmas e assumem posicionamentos de vanguarda, tornando-se para mulheres como eu, espelhos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s