QUEM SOMOS NÓS – Priscyla Leal

Hesitei bastante em escrever este texto  de  “quem  sou eu” , posterguei  por algumas semanas até que foi inevitável: eu tinha que escreve-lo!, Não por uma obrigação e sim por uma necessidade [não pq Izabelly ficou cobrando].     Pensar em falar/escrever sobre mim, sempre um desafio, e tenho motivos. Primeiro porque sou [quase] Historiadora, já deveria ter terminado o curso, inclusive; e costumamos sempre está falando do outro, de uma realidade mais distante do que sentimos. Nunca tive coragem de escrever o que sinto,  o que é um erro, esse é o segundo motivo.  Uma falha na verdade. Palavras dão sentido ao que sentimos, elas os materializa.  Como um diário que se torna o amigo a quem desabafa e o modo de acalantar os sentimentos. Nunca, tive essa vontade ou mesmo costume de criar diários ou até mesmo de falar o “quem sou eu”.  A única coisa que testemunhou os meus sentimos foram o travesseiro, muitos vezes materializados em lágrimas. Por muitos anos foi assim. A confiança em depositar à alguém, o que você é, o que eu sinto  foi um problema por que o que mais sou é desconfiada e a dificuldade de criar laços de amizade duradouros sempre foram um problema pra mim. A ideia de que uma outra pessoa lhe verá ali nua e crua com seus sentimentos escancarados…isso era impensável. Não sei os motivos, talvez por ter sido, na escola sempre considerada a “menina, gordinha de óculos, que vivia lendo Harry Potter”  e laços de amizades eram difíceis naquela época. Ou talvez pela minha criação familiar um tanto quanto protetora demais, que só vim ter entendimento daquilo muitos anos depois. [ Já chega de drama]

O que mudou nos últimos anos? Bem, muita coisa. Ainda preservo essa desconfiança, esse medo de que o outro me conheça profundamente. Mas, nos últimos tempos conheci pessoas e histórias que me fizeram mudar isso. Pessoas que fizeram parte de minha formação, para além de acadêmica, para vida. Não apenas, isso. Quando me percebi MULHER, que descendo de mulheres de luta, que no seu tempo eram/são  empoderadas, guerreiras da vida, que não baixam a cabeça na dificuldade [e não deixa ninguém meter o bedelho onde não é chamado! ]. Nisso, aquela timidez que sentia diante da vida foi se dissolvendo e hoje quase inexiste. É nessa história toda que me tornei FEMINISTA, quando o empoderamento de mim mesma passou a ser prioridade na minha vida. Quando passei a conhecer histórias de mulheres que lutaram/ lutam pelo seu protagonismo na sociedade, por lutar pelo ser quem quiser ser e estar onde quiser estar;

Em 2015, não foi um ano fácil. Lamentei algumas perdas de pessoas que fazem parte de minha história. Mas também foi um ano de mudanças, transformações, e de permanências. Engraçado que até o presente momento que escrevo este texto, não tinha me dado conta de quão significativo 2015 foi pra mim. Prestes a completar 23 anos resolvi sair da casa dos meus pais e começar a pagar minhas próprias dívidas. Sim, porque sabia que não seria fácil e sinceramente estou amando. Quando Kundera fala da traição de Sabina, eu me vi sendo descrita ali. A traição para se tonar quem você é, custe o custar fora do padrão de quaisquer sociedades. E infelizmente, magoar pessoas a quem amo foi inevitável, mas precisei trai-los para conquistar a minha vida e seguir sem o peso de não ter tentado. Nesta situação, estava a figura de minha mãe. Que sofreu a minha distância; que com o tempo esta distância foi o que nos aproximou. O entendimento da vida foi mútuo, para nós duas e o respeito, que antes se fazia ausente, fora conquistado pela nossa luta. O amor falou mais alto, e hoje percebo que tenho mais dela em mim do que poderia imaginar. Ela, minha mãe, apesar de não ter ideia disso é a mulher que me inspirou a ser a mulher que sou e que me contou as histórias de vida dela, da minha avó e de minha bisavó as quais deixaram marcas de luta em sua memória e é a partir daí que tenho o sentido de ser mulher como sinônimo de luta e resistência. Este texto, já virou textão.  Na universidade, também tive o acalanto de uma mulher para minha vida. No ano passado, resolvi cursar a disciplina optativa “Laboratório de Humanidades” , que a pesar de ser com uma professora que tenho muito apreço, vocês entenderão o porque, achava que seria como qualquer outra que já cursei. Pois bem, além de mudar de casa  e  tendo que lidar com toda intensidade emocional e hormonal naquela época também cursei a última disciplina obrigatória do meu curso. Que foi a pior coisa de 2015. Essa professora que vos falo é a Professora Rozélia Bezerra. Em suas aulas, sempre as quartas, era o que acalantava meu coração. Quase sempre eu chegava com os olhos chorosos [ por motivos que envolveram a disciplina obrigatória, que prefiro não comentar] , e super cansada do trabalho e quase sempre atrasada. E ela prontamente olhava pra mim me dava boa noite.  No decorrer dos nossos encontros, eu ia sentindo o acalanto que precisava quando discutíamos arte, educação, humanidade, e que tem o maior respeito ao dialogo e a uma educação que se constrói e não se impõe; até trazia Clarice Lispector, que é desde meus 13 anos é a escritora que tenho mais gosto em ler. Ela fez parte de meu amadurecimento em 2015 e que hoje sou muito agradecida.

Desde adolescente, minha vida é marcada por mulheres seja  na história, literatura ou na música: Clarice Lispector , Amy winehouse, Mercedes Sosa, Nina Simone, Dalva de Oliveira, Maysa, Olga Benário, Rosa Luxemburgo … Todas elas me marcam de algum modo pelas suas histórias de vida e por suas obras.

Em fim ….

Tenho 23 anos, diferentona, estudante de História, de escorpião, Bruxa, adoro incenso,  ler sobre Bruxaria, e um bom chá.  Amo ler literatura fantástica, amante das obras de Tim Burton, Clarice Lispector, Edgar Allan Poe e J.K Rowling. Sou completamente apaixonada por animação, sou capaz de ir ao cinema pra assistir animação mesmo que só  vá  crianças, e me divirto igual! [ estou a espera de Procurando a Dory há 13 anos ], Amo ler e adoro quando encontro preços baratos de algum livro que estou a fim.[ quem é que não gosta ? ] Meu pai costumava a me levar pelos sebos de Recife desde criança então hoje é a coisa que adoro fazer. Tenho tendência a gostar mais de personagens autodestrutivos e mal humorados,  mas que possuem uma humanidade sem hipocrisia, acho que é por isso que gosto bastante de Jessica Jones. Praticante da arte de ignorar pessoas que não gosto, tenho maior aversão à pessoas que gostam de chamar atenção. Admiradora da Arte Fotográfica, sonho algum dia exercer esta arte tão bem quanto Bourke.

Bem e  a pergunta que não quer calar: O que farei neste blog, formado por mulheres divas e empoderadas ?

Serei mais uma hahahahaah.

Falarei de Cinema, Séries  e de tantas outras coisitas mais.

Até a próxima,

Priscyla Leal

G&P

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