SÉRIES| Page Cardio!

Se você não entendeu o título, talvez você não conheça a série (maravilhosa, por sinal). Grey’s Anatomy é um drama médico exibido nos Estados Unidos pela emissora ABC desde 2005. Atualmente, estão sendo exibidos os momentos finais da 12ª temporada. A criadora da série, Shonda Rimes, tem abordado as questões de sexo, gênero e raça maravilhosamente bem ao longo desses anos que a série está sendo exibida.

Se não assiste, corre para assistir! Se já assiste, tá acompanhando a atual temporada e não suporta spoiler, para por aqui, visse?

Bem, na 12ª temporada os setores de cirurgia geral, ortopedia, pediatria, neurologia e cardiologia do Grey Sloan Memorial são comandados por mulheres, e maravilhosas, são elas: Meredith Grey, Callie Torres, Arizona Robbins, Amelia Seppherd e Maggie Pierce. Comandando essas lindas todas tem Miranda Bailey, que é chefe de cirurgia do hospital.

Pois então, Callie e Arizona eram casadas e formavam um casal maravilhoso e, com a ajuda de um amigo e cirurgião que engravidou Callie (RIP Mark Sloan) elas tiveram uma linda filha, Sophia.

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“Bem-vinda ao lar!”

Nas idas e vindas da série, aconteceram muitas coisas e as duas acabaram se divorciando, só que elas têm uma filha e por muitas razões do destino, no episódio 22 – MAMA TRIED- elas acabam indo à corte decidir sobre a guarda da criança. Era aí que eu queria chegar.

A briga pela custódia lança mão de várias questões problemáticas, sendo as principais: o casamento homoafetivo, cujo reconhecimento nos EUA só foi aprovado no ano passado; o reconhecimento da maternidade de Arizona que, por não ter laços consanguíneos com a criança, adotou Sophia; e, é claro, o quão doloroso e injusto pode ser um processo pela guarda de um filho.

 Durante a sessão, alguns dos amigos e colegas de trabalho das mães de Sophia prestam seus depoimentos sobre as duas mulheres e as advogadas tentam manipular isso a favor de suas clientes. É colocada em questão a capacidade de Arizona de ter a guarda por duas razões: o trabalho dela, como cirurgiã pediátrica, ela atende muitas emergências, e a sua sexualidade, pois ela tinha o hábito de ir a bares para conhecer mulheres.

Callie por outro lado, havia conhecido uma cirurgiã no programa de residência e mantém um relacionamento estável. A advogada de Callie por vezes acusa Arizona de trocar a filha pelo trabalho e de ser irresponsável por sair à noite para beber e conhecer outras pessoas. Ao ser indagada sobre essa situação, uma das convidadas para depor questiona a advogada dizendo “Se Arizona fosse um homem, você me faria essas perguntas?”

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Bailey sendo Bailey. ❤

 

Esse questionamento transpassa os sets de filmagens e toca numa ferida ainda aberta na sociedade que é o dilema das mães que trabalham e são consideradas degeneradas por isso.

 

Essa é uma problemática profundamente enraizada na sociedade brasileira, onde mães têm que ser “belas, recatadas e do lar”. Se trabalham, não fazem mais do que sua obrigação, afinal um homem não é obrigado mais a sustentar a esposa; se são divorciadas/separadas/solteiras, é porque algo de errado elas fizeram; se se casam/namoram novamente, estão deixando a(s) cria(s) de lado; se não o fazem, são frias e mal amadas. A mulher, principalmente na condição de mãe, não pode gozar de sua liberdade sem ser taxada de irresponsável por isso.

Eu, particularmente, não tenho autoridade para falar sobre o assunto pois não sou mãe e não sofro com essas opressões, mas eu vi acontecer de perto com a minha mãe. Separada, sempre fez das tripas coração para que nada faltasse aos filhos, e nas poucas vezes em que saía para espairecer, foi taxada de irresponsável, lésbica (sim), e teve a guarda dos filhos ameaçada. ~Ao escrever isso, eu faço uma pausa e talvez eu realmente “page cardio”, porque não tá fácil.~

Na série, a guarda foi concedida para Arizona, mas nos dois casos Sophia estaria em boas mãos, pois tanto Arizona quanto Callie são mães maravilhosas. Mas e na vida real? Quantas crianças são arrancadas dos seus lares pelo bel prazer da justiça de ver mães sendo taxadas de incapazes por viverem suas vidas sem estarem presas aos parceiros? Quantas mães são ignoradas por que o poder do dinheiro dos pais fala mais alto? Quantas maternidades são deslegitimadas por não haver um laço de sangue (tão fraco, por sinal) unindo mãe e filho?

É, precisamos falar mais sobre maternidade e suas nuances, fora daquele mar de rosas que insistem em mostrar pra gente. Inclusive, isso me lembra de outra série que aborda o tema… mas isso é assunto pra outro textão. 😀

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❤ ❤

 

O artigo é de total responsabilidade da autora e não representa necessariamente a opinião do veículo.

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