VISUAIS E OUTRAS ARTES | O feminismo na arte

Vasculhando meu caderno da cadeira de Feminismo, outra vez, ele é cheio de coisa porque eu estudo escrevendo e quando faço trabalho, escrevo o rascunho à mão primeiro, então já viu né achei um trabalho sobre “Meu corpo é um útero?” de Tânia Navarro Swain. Vale a pena ler esse texto, muito destruidor. Pois bem, nesse trabalho, que eu fiz com a destruidora senhorita Solane, a gente tinha que relacionar o texto a alguma coisa artística. Fiz uma pesquisa e achei um monte de pintoras feministas, que relacionam sua pintura ao movimento. Vou expor algumas delas aqui.

A primeira delas é Frida Khalo, que não podia faltar, né? Frida nasceu no dia 6 de Julho de 1907. Sua vida foi marcada por tragédias e transformada em arte. Aos 6 anos contraiu poliomielite, ficando com sequelas no pé direito. Aos 18, sofreu um acidente. O bonde onde se encontrava chocou-se com um trem e o para-choque de um dos veículos perfurou-lhe as costas e saiu pela vagina. Esse foi um dos momentos mais difíceis de sua vida e ela encontrou uma saída na arte. Por conta da fratura em sua pelve, Frida não podia mais ter filho e, por isso, foi aconselhada de não engravidar. Porém, como tinha uma vida amorosa conturbada, Frida engravidou duas vezes e, nas duas, sofreu aborto. Seu quadro “Henry Ford Hospital” trata justamente disso, cada elemento está ligado à sua vida. A lágrima esquerda em seu olho representa a dor da perda de um filho e a impossibilidade de ser mãe.

 Seu quadro “Frida y la operación cesárea” é uma expressão de perda e medo. Em Maio de 32, Frida engravida outra vez. Estando em Detroit, ela decide ir ao hospital e os médicos começam a lhe medicar para o aborto. Porém, Frida muda de ideia e resolve ter seu tão sonhado filho. Como desgraça pouca é besteira, ocorre o aborto espontâneo.

Jennifer Linton nasceu em Vancouver, Canadá, no ano de 1968. Estudou design gráfico e história da arte na Universidade de Toronto e Sheridan College. Devido sua experiência de vida, ela se usa como modelo em sua arte. Seu foco principal está relacionado às questões de gênero e representam experiências de mulheres. Além de contos eróticos, Linton explora temas como gravidez e maternidade. Em sua série “Gravid”, ela apresenta uma visão honesta e não sentimentalista da maternidade, que desafia as imagens estereotipadas encontradas na mídia. Mais do trabalho dela aqui.

Em Dollhouse a gente vê aquele estereótipo de mulher, “bela, recatada e do lar”.

Quem quiser dar uma olhada no trabalho de Linton,  só clicar aqui. Vale super a pena.

O trabalho de Cindy Sherman é superinteressante. Considerado grotesco por muitos, sua prerrogativa era a de que a arte na fotografia não precisa ser esteticamente agradável. Cindy nasceu em 1957 em Nova Jersey e estudou artes na State Uniservity College at Buffalo. Intituladas “Untitled Film Stills”, Cindy é protagonista de suas próprias fotos, com personagens construídos e incorporados por ela que suscitam uma série de reflexões. Com imagens ambíguas e ecléticas, seu objetivo é questionar a visão estereotipada do sexo feminino e criticar a sociedade que obriga seus membros a escolherem personas e padrões a serem vividos diariamente ao invés de estimulá-los na busca por sua verdadeira identidade.

                        

Nós podemos relacionar a obra de Sherman à Teoria Queer de Judith Butler. Segundo tal teoria, o gênero é determinado de acordo com a performidade e a teatralização, tornando possível a liberdade de escolha, o nomadismo e a não fixidez da identidade/gênero. Pra quem se interessar, só clicar aqui.

Entre as brasileiras temos Rosana Paulino, que nasceu em São Paulo em 1967. É formada em gravura na London Print Studio e doutora em poéticas visuais pela USP. Sua produção está ligada a questões sociais, étnicas e de gênero e ela trabalha com imagens de mulheres negras e mestiças, discutindo a construção das subjetividades atravessadas pelas condições de trabalho, pelas relações de poder e pelo preconceito racial. Sua obra “Ama de Leite” de 2005 retrata o lugar da mulher negra quando faz um paralelo entre a submissão e o afeto desenvolvido entre bebês e amas.

“Os Bastidores”, de 1997, representa a violência e a opressão. Usando linhas, agulhas e tecidos, Rosana projeta imagens que criticam a desigualdade social que persiste por séculos. Olhos e bocas aparecem costurados grosseiramente como símbolo de violência às mulheres, o segredo guardado dentro do privado: olhos que não podem, ver bocas que não podem gritar.

Liora K. nasceu no Arizona e enraíza seu trabalho em seu feminismo através de artes plásticas back-ground. Em 2012, quando testemunhou ataques ao controle de nascimento, aos direitos abortivos, ao pagamento equivalente e retração na proteção para sobreviventes de violência doméstica, Liora desejava uma resposta artística a tudo isso. “Eu sou feminista porque eu não acredito num mundo onde eu sou definida, limitada e categorizada pela minha genitália, onde mulheres são objetificadas além da razão, onde a cultura do estupro prospera, e onde essas injustiças (e mais) são descaradamente ignoradas e negadas por muita gente. Eu acredito no feminismo interseccional. (…) Esse projeto não só me ajudou a expressar minha raiva em relação ao grande poder que o patriarcado empunha, mas tem sido um grande veículo para entender partes do feminismo que antes eu não tinha consciência sobre. Como resultado, eu estou muito mais consciente do que eu estou sendo ensinada pela mídia, e como tentar contornar esse condicionamento para alcançar uma maior igualdade”.

 

Mais do projeto de Liora aqui.

Como o texto já ta beeeeeem grande, acho que vou parar por aqui. Posso continuar futuramente, mas já adianto que as outras artistas são Judy Chicago, Barbara Kruger e Miriam Schapiro. Quem se interessar, dá uma olhada no trabalho delas, é bem interessante. Uma das melhores é Barbara porque ela usa o seu trabalho pra dar uma tapa na cara dessa sociedade patriarcal, heteronormativa, estereotipada.

O artigo é de total responsabilidade da autora e não representa necessariamente a opinião do veículo.

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