CINEMA | DeadPool: um alívio cômico com piadas machistas, homofóbicas e muito estereótipo.

Deadpool desde o início mostra para o que veio, um alívio cômico. Repleto de referências à hqs, séries, filmes, outros artistas e até a própria direção e o ator principal, consegue levantar várias risadas, do início ao final.
Gostei da trilha sonora, clássicos de pop em poucas ocasião caem mal e no caso do longa, no meu ponto de vista, acerta.
O roteiro não têm muitas reviravoltas, é o clássico dos filmes de super herói, vida pacata até aparecer o problema inicial que faz conhecer ou receber os “poderes”, tendo a vida de certa forma alterada por causa disso, seja pro bem (salvar as pessoas) ou mau (se tornar um anti herói). No caso do nosso anti herói, está correlacionado a ação do vilão com o bem estar do personagem e de Vanessa, a namorada.
O filme não passa no teste de Bechdel, mas como dissemos em nosso post sobre o teste, ele não determina se um filme é bom ou ruim. Eu gostei do filme, não é um dos meus favoritos por algumas coisas que irei mostrar agora.

A partir daqui, o texto terá spoilers.

O filme tem basicamente duas cenas de ação, a do início, cortada com vários flashbacks sobre o que aconteceu com Wade até se tornar Deadpool e a luta final. Até aí, vemos piadas racistas e homofóbicas, e a apresentação do Colossus e Negasonic Teenage Warhead, que aqui funcionam como uma consciência para o anti-herói, e falham. O filme realmente é feito para quem é fã e sabe de pelo menos alguma coisa do personagem e dos X-Men pois do nada eles, a mansão e um jato aparecem. Isso tudo por causa do fusuê que Wade faz na ponte da cidades atrás de Wilson, o vilão do filme.

O looongo flashback acontece para sabermos o que houve com Wade. Um mercenário pago para ajudar pessoas que estão sofrendo perseguições ou algum tipo de mal. No bar, local das transições e reunião dos mercenários, ele conhece Vanessa, personagem que os leitores de quadrinhos conhecem bem. A aproximação deles é feita diante de várias piadas envolvendo abuso infantil e isso é uma merda.  Eles se apaixonam, começam a morar juntos e… Vemos o estereótipo de “garota legal”, cool girl, dos sonhos, se formando. Ela é linda, inteligente, boa de cama, e é nerd. Uma mulher dos sonhos, senhoras e senhores. Mas seria uma pena se a Vanessa da hq não fosse só isso! Ela tem a habilidade de trocar de corpo, inclusive já se passou pelo próprio Deadpool… Senti falta de desenvolver mais ela, a Morena Baccarin, atriz que a interpreta já fez ótimo papéis complexos, acho que faltou espaço pra ela nesse filme. Sim, eu sei, o filme é do Deadpool mas como iremos ver mais adiante, ela faz parte da provocação final do filme e fica como o prêmio do herói.
Ainda sobre a relação deles, tem um take musical rápido no filme mostrando a relação deles com feriados dos EUA. Até aí, legal. Todo casal tem momentos em feriados, mas assim, no dia internacional da mulher a Vanessa faz sexo anal com ele e o que acontece? Ele faz cara de quem não gosta. Olha, ninguém é obrigado a na-da mas acho que a produção perdeu a oportunidade de demonstrar mais nitidamente o quanto a luta pelas mulheres é importante para igualdade, sim, na cama também. Em um filme repleto de piadas machistas e homofóbicas acho que seria uma ótima oportunidade da mensagem principal ser mais desenvolvida na cena e mais: iria calar muito nerd machista. Bom, vi muita gente falando que não gostaram da cena, inclusive eu, por ele ser pansexual ou coisa do tipo, aqui vai uma “explicação”: Wade é um cara com moléculas instáveis no cérebro e esquizofrenia. Num dia ele acorda Hetero, no meio dia ele se atrai pelo homem aranha, de noite ele acha que está vendo morcegos no teto da batcaverna, quando ele só tá em casa. No outro dia ele acorda com desejo por animais. Pansexual é algo estável, e ele é completamente instável. E isso só acontece depois que ele é submetido aos níveis de estresse para suas células mutantes evoluírem. No dia em questão, o feriado, ele ainda não havia se submetido à “evolução”. É bom deixar claro que nada motiva às piadas machistas que vi em muitas páginas sobre a luta pela igualdade dos direitos das mulheres, ela não se resume apenas à igualdade na cama, pelo amor de Odin!

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(Parênteses que não é tão parêntese assim: Enfim, esse tipo de cena perpetuou no dia das mulheres, vi páginas satirizando o domínio de Vanessa sobre Wade e até a luta das mulheres, engraçado que quando a gente reclama do machismo na cultura pop, algumas pessoas dizem que estamos exagerando, então, essas páginas também não exageraram em deslegitimar toda uma luta por causa de uma cena em um filme?)

E é no meio da programação de merda que é a vida (Wilson, Wade), o comercial longo que foi viver com Vanessa é interrompido pois descobrem seu câncer. E ele decide ir embora, deixando a amada sozinha enquanto ela procura, desesperadamente, achar uma cura. Wait! Onde já vimos isso? Ah sim, comédia romântica.  Mas o  flashback não acaba por aí, vimos como ele foi “recrutado”  pra ser o melhor dos melhores e como deixa o amor de sua vida em casa e tudo o mais.

E então, voltamos para a cena inicial onde Colossus e Teenage chegam para levar Deadpool dali (gostei das piadas em relação a cronologia dos X-men). Francis foge e Deadpool também. Acho que nessa cena poderiam falar mais sobre o motivo de Colossus querer levar Dead para a mansão, mas, né? Não foi.

Daí vemos tudo que Wade passou, o lance dos genes mutantes e tudo o mais. Ele consegue sair curado do câncer mas os efeitos colaterais são horrendos e por isso ele promete ir atrás do Francis para melhorar a cara e voltar para Vanessa. Até aí, menos mau, podia ser pior. Cof, Cof. Maôê, errooou.

Após o(s) momento(s) flashback(s), Wade vai para casa, “casa” da senhora Al, negra e cega que o mesmo faz piada desvalorizando a personagem. Como se já não bastassem os flashsbacks, ele “recapitula” o dia merda que ele teve: perdeu a melhor chance de capturar Francis para consertar o seu rosto e voltar com sua “gostosa”. Tantos adjetivos mas tinha que ser esse, inclusive, é dessa forma pejorativa que a tratam desde o começo do filme, nos “créditos”  engraçadinhos. E por ser a namorada o que lhe acontece? Sim, é sequestrada pelo vilão para ser um ponto a mais na provação final do “mocinho”. Really? Mas que roteiro original, não é mesmo? E onde temos isso, ah sim, Síndrome da Princesa Peach (em breve faremos texto sobre).

Dead une Colossus e Teenage na luta para salvar Vanessa, que se torna o motivo da luta final, deixando o fator cura de lado. Daí temos a luta particionada onde Colossus e Teenage lutam contra Angel, a personagem da lutadora Gina Carraro e o próprio Dead e Francis. Bom, Angel só está lá pra ser a guarda de Francis e ser usada pra bater nos caras enquanto ele brinca de médico ou sequestrador.  Como provocação final, Vanessa é colocada no mesmo tubo que Wade foi posto para ativar suas células mutantes. Eu entendi que Francis queria que Dead visse o quanto ele estava  no poder da situação e quanto ele podia fazer Vanessa sofrer, e colocá-la naquele tubo seria reativar as lembranças de Wade quando se encontrou alí também, ou seja, ela iria sofrer pra caramba. Bom, como eu disse, eu entendi o sentido de colocá-la no mesmo tubo que ele, mas, não podemos esquecer da tara da ficção científica em colocar mulheres em tubos. O final já sabemos, Dead fica com Vanessa, todos voltam pra casa e Francis morre.

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Quando Dead “resgata” Vanessa e depois explodirem a plataforma (gastaram quanto nessa cena? podiam não ter feito), há um pequeno embate entre ele e Francis. É quando ele fica sabendo que não há cura para sua aparência e mata Francis, acabando com a esperança de Colossus dele ouvir seu lado “herói”. Vanessa fica com ele mesmo sem a cura, é claro, alguém duvidaria?

Como disse no início, é um filme engraçado, com ótimas referências. No entanto, o excessivo uso de flashbacks, pra mim, não foi legal. Esses “problemas” podem ser motivados pelo baixo orçamento do filme, a Fox, no meu humilde ponto de vista, exitou um pouco no lançamento do longa, que já estava em pré produção há um tempo já. Voltando aos pontos negativos, não gostei da forma que colocam as personagens femininas sem poderes, que para ser conquistada o homem precisa se valer de alguma violência, tipo o Dopinder, o táxista indiado (opaa, outro estereótipo). Tanto os estereótipos ou piadas machistas/homofóbicas e personagens mal desenvolvidos, me fizeram não endeusar a obra, o que os fãs fizeram/fazem com louvor afirmando que é inovador, bom, o roteiro deixou a desejar mas comparando com BvS (edição do cinema), foi mais amarrado e contou de fato uma história, seja sua qualidade duvidosa ou não.

O artigo é de total responsabilidade da autora e não representa necessariamente a opinião do veículo.

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