GAME OF THRONES  S06xE07 The Broken Man

 

Quando o episódio começou fui checar pra ver se não estava assistindo outra coisa, sem a abertura inicial e com surpresas, rostos novos (ou será antigos?), The Broken Man nos faz ver como o desespero não é bom aliado no Jogo dos Tronos e a melhor forma de continuar vivo, é tendo bons aliado e cartas na manga.

A partir daqui, spoilers.

O episódio inicia, como já disse, sem a abertura, claro, estragar a surpresa de vermos  o nome de Rory McCann, o ator que interpreta nada mais, nada menos que Sandor Clegane, o cão de caça, que estava desde o episódio piloto desta temporada com a equipe, seria uma decepção. Um truque de mestre fazer dessa forma, misteriosa.

O regresso de Cão de Calça trás de volta a teoria dos leitores do livro em achar que ele foi salvo por septões e levado Às Ilhas Silenciosas. Isso pautado em diálogos no capítulo de Brienne, onde a palavra morrer relacionado a Sandor não seria exato pois haveriam duas informações sobre sua morte. E o próprio nome no episódio The Broken Man remete a uma vida nova do personagem. Durante o início e fim de episódio, vemos a figura do irmão Ray, para os leitores dos livros, Septão  Meribald. Bryan Congman, produtor da série, cortou o emblemático discurso do religioso, cortando assim o que muitos consideram a síntese perfeita do que é a Guerra dos Tronos. O discurso, que também faz parte de um dos capítulos da Brienne em O Festim dos Corvos:

 

Há muitas espécies de fora da lei, assim como há muitas espécies de pássaros. Tanto um borrelho como uma águia marinha tem asas, mas não são a mesma coisa. Os cantores adoram cantar sobre bons homens forçados a sair da lei para combater um senhor malvado qualquer, mas a maioria dos fora da lei são mais parecidos com esse Cão de Caça voraz do que com o senhor do relâmpago. São homens maus, movidos pela ganância, amargurados pela maldade, que desprezam os deuses e só se preocupam consigo. Os desertores são mais merecedores de nossa piedade, embora possam ser igualmente perigosos. Quase todos são plebeus, gente simples que nunca tinha estado a mais de uma milha da casa onde nasceu até que algum senhor veio levá-los para a guerra. Mal calçados e malvestidos, partem marchando sob seus estandartes, muitas vezes sem melhores armas do que uma foice, uma enxada afiada ou um martelo que eles mesmos fizeram atando uma pedra a um pedaço de madeira com tiras de pele de animal.

Irmãos marcham com irmãos, filhos com pais, amigos com amigos. Ouviram as canções e as histórias, e por isso vão se embora de coração ansioso, sonhando com as maravilhas que verão, com as riquezas e as glórias que conquistarão. A guerra parece uma bela aventura, a melhor que a maioria deles alguma vez conhecerá. Então experimentam o sabor da batalha. Para alguns, essa única experiência é suficiente para quebrá-los. Outros resistem durante anos, até perderem a conta de todas as batalhas em que lutaram, mas mesmo um homem que sobreviveu a cem combates pode fugir no centésimo primeiro. Irmãos veem os irmãos morrer, pais perdem os filhos, amigos veem os amigos tentando manter as entranhas dentro do corpo depois de serem rasgados por um machado. Veem o senhor que os levou para aquele lugar abatido, e outro senhor qualquer grita que agora pertencem a ele. São feridos, e quando a ferida ainda está apenas meio cicatrizada, sofrem outro ferimento. Nunca há o suficiente para comer, os sapatos se desfazem devido às marchas, as roupas estão rasgadas e apodrecendo, e metade deles anda cagando nos calções por beber água ruim. Se quiserem botas novas ou um manto mais quente ou talvez um meio-elmo de ferro enferrujado, tem de tirá-los de um cadáver, e não demora muito para que comecem também a roubar dos vivos, do povo em cujas terras combatem, homens muito parecidos com os que eram. Matam suas ovelhas e roubam suas galinhas, e daí é um pequeno passo até levarem também suas filhas.

E um dia, olham ao redor e percebem que todos os seus amigos e familiares se foram, que estão lutando ao lado de estranhos, sob um estandarte que quase nem reconhecem. Não sabem onde estão nem como voltar para casa, e o senhor por quem combatem não sabe seus nomes, mas ali vem ele, gritando-lhes para se posicionarem, para fazerem uma fileira com as lanças, foices e enxadas afiadas, para aguentarem. E os cavaleiros caem sobre eles, homens sem rosto vestidos de aço, e o trovão de ferro de seu ataque parece encher o mundo… E o homem quebra. Vira-se e foge, ou rasteja para longe, depois por cima dos cadáveres, ou escapole na calada da noite e encontra um lugar qualquer para se esconder. Toda noção de casa está perdida a essa altura, e reis, senhores e deuses significam menos para ele do que um naco de carne estragada que lhes permita sobreviver mais um dia, ou um odre de vinho ruim que possa afogar-lhes o medo durante algumas horas. O homem quebrado sobrevive dia a dia, de refeição em refeição, mais animal do que homem. A Senhora Brienne não erra. Em tempos como estes, o viajante deve ter atenção aos desertores, e temê-los… mas também deve ter piedade por eles.

Brienne V, “O Festim dos Corvos”

 

Esse discurso pacifista do Irmão Ray não o poupou da morte, mas antes ele pregou por bondade e arrependimento, contradizendo o lugar de Sandor em seu grupo, pois segundo o Cão de caça, o que lhe motiva a viver é o ódio. Irmão Ray é morto por Limo Manto Limão, da Irmandade sem Estandarte. O que me deixa intrigada nessa história com a Irmandade é que do nada a série está dando bastante atenção à eventos relacionados a ela, como por exemplo Correrrio, o fato da Irmandade estar colocando os camponeses contra os Frey, Jaime e Brienne nas Terras Fluviais e agora Sandor. Nos livros a Irmandade está ligada à Lady StoneHeart, a personagem de Catelyn Stark que Thoros de Myr ressuscita, e como todo personagem trazido da morte na saga, ela volta violenta e com sangue de vingança levando a Irmandade a ações contra Lannisters, Freys e toda pessoa que ajudou no declínio da casa Stark. Por qual motivo os homens da irmandade estariam matando gratuitamente? Melhor, por qual motivo a série está oferecendo interesse a este núcleo? Muitas questions. Sabendo da morte do Septão, Sandor, pelo que parece, procurará por justiça a seus moldes: com muito sangue.

Em Porto Real, o Alto Pardal está sendo ludibriado (ou não?) por Margaery. O destaque para esta cena é de como ele usa de discurso de religiões, bastante conhecida por nós, para elucidar a importância de consumar o casamento entre os reis, não precisa de amor, só um herdeiro e outra alma para o Senhor da luz. Apesar disto, seu sermão sobre ricos e pobres fez abrir, ainda mais, os olhos da Rainha pra treta que lhe esperava. Ela já aparenta estar bem mudada, com a união da coroa e fé, aparentemente mais forte, alimentada e até corada, claro que iria tratar a rainha com bons modos. Só faltam dizer isso a septã Unella  ahauahauahauaha. Falando na septã, chegamos a uma cena maravilhosa, Margaery e Olenna têm uma conversa onde a própria afirma ter iniciado uma guerra pela neta, e esta, preocupada com o bem estar da avó a entrega secretamente uma rosa estampada, o signo de sua casa. As atrizes estão de parabéns, Margaery segue fingindo que se tornou devota para salvar todos que podem, ou não? Cersei vai ao encontro de Olenna a fim de se despedir-se ou encarar a matriarca Tyrell mais uma vez, porém, a mesa vira e tudo que ela faz é ouvir a rainha dos espinhos afirmar que a desgraça de suas casa é culpa da Rainha regente. Em contrapartida, Cersei confirma e propõe uma outra união que não irá acontecer, pois para Olenna, Cersei perdeu.

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Jaime chega em Correrrio e consegue o comando do cerco à Brinden Tully, o Peixe Negro. Em uma tentativa diplomática de acabar com o cerco o quanto antes e voltar para Cersei, Jaime lida com a ira de Peixe Negro, que lhe faz questionamentos sobre sua promessa de salvar Arya e Sansa, que tipo de homem ele é e quanto tempo tem. A diplomacia não é válida e podemos esperar algum embate entre as famílias logo mais.

Para além da muralha, Sansa, Jon, Davis e Tormund vão atrás de alianças e a primeira tentativa é com os selvagens que se mostram temerosos pois o inverno está chegando e comparado à antiga, seu povo está bem reduzido. Graças ao gigante, os selvagens se unem à causa Stark. Na Ilha dos Ursos, os Starks se direcionam a casa Mormont e temos a melhor cena do episódio até agora protagonizada por Lady Lyanna Mormont de apenas 8 anos honrando seu título. Disparando verdades, muitas delas não bem vindas, com a ajuda de Sir Davos, Lady Lyanna dispõe para a guerra 62 homens, que segundo ela, lutam com a  força de 10. Na presença de Lorde Bolton, Jon insiste pela ajuda mas nada consegue. A participação de Sansa foi rápida porém intensa. É  ótimo vê-la participar de forma ativa, não sendo apenas a verdadeira Stark. E por vê-la participar, a mesma questiona sobre a participação de Davos e a vontade de Jon de marchar com um pouco mais de 2.000 homens. É quando ela escreve uma carta, que traduzida por uma fã da saga, pede ajuda a quem lhe prometeu proteção, tudo indica que seja a Mindinho, como protetor do Vale, tem os cavaleiros juramentados a cassa Arrin e seria a força necessária para derrotar os Boltons.

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Com destino a Meeren, Yara e Theon aportam em uma cidade e a diversão dos tripulantes é numa casa de “prazeres”. Theon está cabisbaixo, também pudera, mas aí temos uma surpresa, Yara é no mínimo bissexual. Não lembro de ler sobre isso nos livros mas da forma que estão desenvolvendo  a personagem, desde suas roupas que houve uma mudança (estão mais próprias a guerra) até sua forma de liderar, podemos apostar em mais destaque pra este núcleo que tende a ser meio decepcionante. A conversa entre ela e Theon sobre justiça definiu os planos dos irmãos para o futuro da  casa Greyjoy. 

Em Braavos, Arya está toda andante, nem parece a garota precavida do final do episódio anterior. Nisso ela compra uma cabine para Westeros e enquanto para pra olhar a vista da Cidade, é atacada por uma senhorinha simpática, que na verdade não é senhora nenhuma, é a Waif, a criança abandonada do templo do Deus sem Face. Arya é esfaqueada por Waif, para fugir e se atira num rio fazendo a “ninguém” acreditar que havia morrido. Na fuga, Arya é tida como uma leprosa pelas ruas de Braavos, ninguém lhe ajuda e assim, o embate final entre a garota Stark e Waif, se prolongará por mais um episódio. Falei de Waif na análise anterior, não entendo essa vontade toda de fazer algum mal a Arya. Será que ela não é uma ninguém ainda?

Pelo caminhar da série, todas as ações culminarão no episódio 9, que já sabemos se chamar “A Batalha dos Bastardos”. Como falamos no review passado, a ausência de alguns personagens pode oferecer a ideia do tempo passando, em The Broken Man, por exemplo, não vimos Dany, que provavelmente está a caminho de Meeren. Entre Cersei, Olenna e Margaery, muita coisa ainda rolará, visto que ainda não temos a data do julgamento marcada e todas querem que tudo acabe logo. Sansa ainda nos surpreenderá ainda mais, e tenho certeza da importância da ida de Brienne à Correrio, é sempre oportunidade de Shippar ela e Jaime, hahaha. Sobre Arya, algumas teorias rondam sobre ela estar passando por um tipo de esquizofrenia, o que explicaria ela em momento está tão temerosa e noutro, a calmaria em pessoa. Eu não acredito muitas nessas teorias, Arya sempre foi muita complexa e por necessidade aprendeu a se cuidar, não acho que ela esteja fazendo nada por somente fazer, o fim dessa teoria – ou não – podemos esperar no próximo episódio.

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