“A minoria será sempre minoria” e outros comentários que eu gostaria de desver.

Confesso que demorei pra escrever sobre as mudanças da Marvel por motivos de: quis esperar as várias opiniões aparecerem, e apareceram.
Já compartilhamos a notícia na página sobre a Riri Williams, criada por Brian Bendis e pelo artista brasileiro Mike Deodato, para ser a substituta do Tony Stark no selo Iron Man – ainda estão decidindo sobe Iron Man ou Woman – diante do fim de Guerra Civil II. Quem acompanha a HQ sabe que Tony está mais ferrado do que universitário federal no fim do período e a associação ronda o campus chamando a comunidade acadêmica com indicativo de greve. Ele perdeu a soberania nos vingadores, não se relaciona mais com a Pepper e as Indústrias Stark entrou em declínio. Segundo Bendis, ele já estava observando Riri, que aos 15 anos estuda no MIT é descoberta construindo sua própria armadura em seu quarto e chama atenção do inventor. Riri por sua vez, é negra e teve um passado conturbado com violência urbana no lugar em que vive. Encontrou nos estudos uma maneira de dar a volta por cima. Incrível, não é? Para algumas pessoas, não.

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Olha essa armadura sem boobie plates, sem nada ❤

Após o anúncio, o debate na internet ficou, não acirrado, mas bem dividido. De um lado, as pessoas que se sentem representadas com a Riri, do outro, os fãboy que nem leram e já disseram ser uma bosta.

É o seguinte, como já diria os memes da vida: ninguém é obrigadx a nada. E você não é obrigadx a achar a substituição uma coisa boa, principalmente, como tem vídeo circulando por aí, se você for cis, branco e cheio dos privilégios, achando que “minoria tem que ser sempre minoria. Que negro, gay, trans, lésbicas, judeus não leem hq e se eles querem personagens assim, que façam os seus, não estrague os seus favoritos mudando a etnia PORQUE ELES SÃO SEUS”. Dá até pena de uma pessoa assim não se sentir representada na cultura pop, não é mesmo? Mas vamos lá, acreditamos em algumas coisas e vamos lhe dizer: os tempos mudaram e as minorias, elas não irão se calar e mesmo gostando dos personagens criados por homens brancos há 70 anos atrás e estes mesmos personagens estando no ranking dos nossos favoritos, iremos vibrar por ver uma mina de 15 anos sendo responsável pelo legado do homem de ferro, um latino ser o amigão da vizinhança, uma mulher com câncer ser a nova Thor e uma muçulmana a Miss Marvel. AVISO: O Tony Stark, Peter Parker, Thor (o filho de Odin) e Carol Danvers não foram mortos pelos novos, não foram destroçados ou algo do tipo, eles PASSARAM A VEZ para Riri, Miles Morales, Jane Foster (que não é a primeira vez) e Kamala Khan.

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Por outro lado, a vida, e o facebook, nos mostra  o quanto a representatividade é importante. Antes de fazer esse post eu falei com algumas pessoas sobre a importância de super heróis negros e abordaram alguns pontos que valem a pena serem destacados: sobre a Riri: “a não estereotipação e senso comum que todo negro vem da África, o cabelo black empoderador e ela ser escolhida pela inteligência e caráter, não por simplesmente ser mulher”; “não leio hq mas vejo todos os filmes e acho muito importante para nós nos identificarmos e também contribuir para a luta das mulheres, ganhando esse destaque, vou começar a ler”.
Além de toda a preocupação com a influência e continuidade, vi uma entrevista de Bendis para a revista Times e ele afirma que tanto a representação e não aceitação da personagem foi pensada, e até dar a entender que a com isso, todas as representações sociais foram igualadas nos quadrinhos. Ao meu ver, mesmo com toda a não aceitação da minoria do público, a exemplo da Nova Thor e Miles Morales, ele iria continuar porque comparado há um tempo atrás, a representatividade avançou muito e ele é um artista consagrado, tanto quanto  o Deodato, o que me faz pensar: e se fossem mulheres roteirizando e desenhando a Riri? Treta detected. Voltando, Concordo que avançou e ainda tem muito caminho a ser percorrido para igualar os patamares da representatividade. Também penso se é a melhor maneira mudar a etnia ou criar novos personagens. Aqui também reside diversas opiniões. Será que um personagem novo, bem construído, que fuja dos padrões se daria bem? Sim. Além dos exemplos acima, eu falo sobre a Jessica, Lanterna Verde da DC que com a revista atual no Rebirth liderou por alguns dias as vendas e, num passado próximo, a Peggy Carter. Sério? Sério. Pra mim,  Peggy conta como uma personagem secundária que bem construída, fez fama com breves aparições no Universo Cinematográfico Marvel, e teve sua própria série. Esses exemplos, recentes e distantes, não são comparados às grandes estrelas dos quadrinhos. Esses, consagrados, possuem sim uma história e fãs muito, mas muito dos tradicionais que simplesmente não aceitam mudanças, por mais que não seja de todo, benéfica a eles.

Outra coisa que vi na internet foi a divisão da Era dos quadrinhos, o leitor mais engajado sabe,  mas é sempre bom relembrar (em breve faremos um texto sobre quadrinhos e História). São 4 eras, a de Ouro, Prata, Bronze e Moderna (quadrinhos atuais), entretanto, já colocam uma nova era, a contemporânea como Era Negra dos quadrinhos. Eu juro que me iludi quando fui ler feliz pensando que era algo de bom. Os simpatizantes a esta nomenclatura, simplesmente afirmam que a mudança de etnia é uma consequência ao mundo “feminazis, dos gayzistas, dos black hitlers, dos ativistas de assuntos aleatórios e sua agenda podre que contempla inescrupulosamente o puro adesismo,  o politicamente correto, o relativismo moral, a justiçagem, o vitimismo, a falácia, a demagogia, hipocrisia” que ESTRAGARAM os quadrinhos com suas reivindicações. Não é só mudar a etnia, é fazer personagens mais diversificados que é uma bosta para estas pessoas. E Sim, a “Era Negra” somos nós quem fazemos e por reivindicar uma super heroína sem roupas sexistas e com Síndrome de Trinity, super heróis mais próximos da realidade e tudo o mais, somos, mas sem novidade, os mimimi da vez. Essas pessoas acham que por retratarem as minorias com mais proximidade do real, sem estereótipos, os quadrinhos estão ficando uma merda, e, segundo eles, não tem nada sobre racismo ou preconceito aqui.

Amigx, quando seu super herói for menosprezado só por ser homem, quando ele estiver na capa da revista com a coluna torta pra mostrar peito e bunda ao mesmo tempo, quando o personagem com poder foda branco não aparecer ou tiver uma morte gratuita pro negro ser superior, a gente conversa de igual pra igual. A comunidade nerd/geek/pop é machista, muitas vezes racista e sexista, pior que isso, colocam todas essas coisas como uma tradição que não pode ser quebrada jamais porque há 70 anos atrás alguém fez assim e não pode mudar jamais. É difícil sim, fazer um personagem diferente de tudo e cair nas graças do povo. Já temos personagens, como vocês chamam? Sim, “diferentes”. Mas quando roteiristas oferecem um sentido para eles na história, vocês dizem que estão roubando a cena do principal e lá vai.

A diversidade vai surgir mais e mais, não adianta querer tomar pra si  o original e não perceber que as coisas mudaram. Ninguém está criticando o original, aliás, o amamos, o problema é quando toma pra si e põe em um lugar acima de tudo e de todos. Por fim, não é só para vender número, sabemos que é isso também. A representatividade é importante para nos sentirmos mais próximos das coisas que gostamos de ler, as qualidades do personagem refletem na nossa vida, sobretudo nas crianças.

A discussão é longa e com muitos adendos, por fim, deixo essa foto dessas menininhas que circulou na internet esses dias. Se a chamada “Era Negra” causar essa alegria na vidas das pessoas, pode ter certeza que terá muito mais.

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O artigo é de total responsabilidade da autora e não representa necessariamente a opinião do veículo.

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