CINEMA | Iron Jawed Angels -Anjos Rebeldes Com Spoilers e muita História!

Depois de séculos sem escrever, cá estou eu pra falar de um filme maravilhoso. Folheando meu caderno da disciplina de Feminismo que paguei no segundo período (estou no terceiro agora, mas parece que foi há séculos atrás), achei um questionário sobre o filme Iron Jawed Angels. Resolvi fazer um post sobre ele porque esse filme é lindo e mostra de maneira fantástica a luta pelo sufrágio nos EUA. Bem, não vou escrever os tópicos separadamente, junto com as perguntas, vou fazer um texto mesmo, corrido. Mas, se vocês quiserem as perguntas, podem pedir nos comentários.

O filme conta a história real da luta das mulheres pelo sufrágio. A mensagem central do filme é mostrar a luta das feministas pelo direito ao voto. A personagem principal, Alice Paul (Hilary Swank), é a líder do movimento e lança ideias de jornais sufragistas, de permanecer em frente à Casa Branca, de fazer greve de fome. Uma das cenas mais impactantes do filme é a tortura que as ativistas sofrem na prisão por começarem uma greve de fome. Elas eram amarradas a cadeiras e, se não abrissem a boca, uma sonda era introduzida em seu nariz para a alimentação compulsiva. Interessante que mulheres participavam dessas torturas, mostrando que até elas eram contrárias aos seus próprios direitos, mas tudo bem, cultura da época de submeter as mulheres né. Ainda na prisão, elas sofriam agressões físicas. Porque estavam reivindicando seus direitos, as ativistas foram presas de forma totalmente arbitrária e, para extraírem uma confissão que não existia, as mulheres eram regularmente torturadas/agredidas. A oposição masculina era forte. Em um dos desfiles realizados pelas ativistas, por exemplo, me chamou atenção a hostilidade dos homens, gritando xingamentos e as agredindo verbalmente, não dando importância as crianças presentes. Além disso, nessa mesma cena, o descaso dos policiais e sua consequente abertura acabam culminando na invasão do desfile por esses homens e na agressão das feministas.

Mesmo com essa oposição, e também com a oposição do presidente, da justiça e da política, as ativistas realizavam marchas, comícios, discursos a favor do sufrágio feminino. Indo de encontro à Anna Howard Shaw (Lois Smith) e Carrie Chapman Catt (Anjeica Huston), participantes da Associação Nacional das Mulheres Sufragistas, Alice rompe com ambas e funda o Partido Nacional das Mulheres arriscando tudo, junto com sua amiga Lucy Burns, (Frances O’Connor) para obter uma emenda na Constituição que permita o voto para todas as mulheres americanas. Apesar da imensa luta de classes e da questão racial que permeia a luta pelo sufrágio, Alice e suas amigas conseguem grande número de adeptas às suas ideias.

É preciso entender que ser feminista nessa época, início do século XX, era absurdo. Contrariar os homens e a sociedade patriarcal com seu conservadorismo era um ultraje. As mulheres pertenciam ao privado lugar de mulher é na cozinha. É não mores, eu vou pra onde eu quiser, deviam ficar em casa, cuidando dos filhos e realizando seus afazeres domésticos. Além disso, a submissão feminina era justificada pela superioridade natural do homem, já que a mulher era considerada histérica e emotiva, o homem, racional, realista. “Não se meta nesse lodo que é a politica”, eles diziam. A mulher ainda era vista como um mero instrumento de reprodução e, quando decidem causar usando roupas tidas como masculinas, são hostilizadas. O filme mostra também um ponto delicado do feminismo quando trata das operárias e das negras, que não são totalmente incluídas no movimento.

Com relação ao teste de Bechdel, assunto de um post do blog (leia aqui), na minha humilde concepção, o filme passa totalmente nesse teste. Em primeiro lugar, o núcleo de personagens principais é formado por mulheres, poucos são os homens, elas sempre conversam entre si, estejam em concordância de ideias ou não. E por fim, o assunto não é definitivamente homem, é sobre o sufrágio feminino.

Pra terminar porque o texto tá agitante. Eu só queria dizer que apesar de retratar o século XX, o filme apresenta várias questões para o debate atual. Uma delas é o sistema patriarcal que ainda submete a mulher ao poder masculino e a delega ao espaço privado. A intolerância masculina em relação ao feminismo e às suas manifestações ainda é um fato e as relações de gênero continuam sendo bastante polêmicas. Em relação a isso, podemos perceber um retrocesso no tocante à política de gênero nos dias de hoje, por causa do fundamentalismo religioso e do conservadorismo. Acho que nem preciso comentar o porquê, né? O protagonismo feminino e a ideia de independência das mulheres ainda hoje não são bem aceitos, é dever da mulher cuidar da casa e dos filhos. Por muito tempo, o corpo da mulher só servia para a reprodução e, atualmente, por conta dessa percepção, o corpo feminino é carregado de sexualidade. Uma das reivindicações do feminismo atual é a liberdade do corpo. “Nosso corpo nos pertence”. VAI TER LUTA SIM!

“Senhor presidente, quanto tempo as mulheres devem esperar pela liberdade?”

O artigo é de total responsabilidade da autora e não representa necessariamente a opinião do veículo.

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