Suffragette – As Sufragistas Com Spoilers e muita luta!

Suffragette conta a história do sufrágio feminino inglês a partir de sua fase de maior militância, que tem início em 1912. Pra entender melhor o contexto do filme, acho válido fazer um resgate da história do tempo em questão. Então senta que lá vem história.

Nas décadas de 1830 e 1840, as mulheres inglesas começaram a se juntar à movimentos libertários e, em 1847, Anne Knight fundou a primeira associação feminina britânica, chamada Female Political Association (Associação Política Feminina), com o principal objetivo a luta pelo sufrágio feminino. Porém, apesar das reformas eleitorais ocorridas durante o século XIX, nenhuma assegurou o voto feminino, os que eram contra tal medida usavam o determinismo biológico para justificar sua opinião. Aquela história de que a mulher é histérica, emocional, emotiva e por aí vai. Diante desse cenário, em 1897, Milicent Garret funda a National Union Of Women’s Suffrage Societies (União Nacional das Sociedades de Mulheres Sufragistas) não sei se a tradução tá certa hahaha que, no entanto agia dentro da lei e esperavam a boa-vontade dos governantes, não alcançando vitórias. Insatisfeitas com a situação da causa, algumas mulheres do Partido Trabalhista fundam a Women’s Social and Political Union (União Social e Política das Mulheres) em 1903, tendo como líder Emmeline Pankhurst. A partir de 1908, as “suffragettes”, como eram chamadas pejorativamente, usaram de uma tática agressiva para chamar atenção à sua luta.

A partir daqui, podemos falar do filme. O auge da campanha do sufrágio feminino na Inglaterra dá-se entre 1911 e 1912, ano retratado no filme de forma majestosa. Maud Watts, personagem principal do filme, trabalha numa lavanderia e é aquela típica dona de casa, presa ao privado, que cuida de tudo enquanto leva grito do marido (Sonny) e faz de tudo para agradá-lo até que, por acidente se envolve com as sufragistas. A partir daí, ela se vê dividida entre entrar ou não na causa. Mas, quando o marido a impede de ver o filho, “A lei está ao meu lado”, por causa de suas prisões causadas pelo envolvimento com o movimento, ela mergulha com tudo na causa. Edith Ellyn é a comandante-chefe das sufragistas e a ponte entre Pank e as demais, interpretada pela maravilhosa Helena Bonham Carter, e comanda todas as táticas das ativistas. Entre elas, estão o apedrejamento de vidraças, explosão de caixas de correio e até mesmo explosão de casas de políticos, todas retratadas no filme. O lema das sufragistas era “Dids, not words” (“Ações, não palavras”) e a gente percebe de forma clara que elas, realmente, partiam pra ação. Essa história de esperar a atitude dos governantes acabou, o ataque era agora direto. Em seus discurso no filme, Pankhurst, interpretada por ninguém menos que Maryl Streep, deixa isso bem claro. Líder do movimento sufragista, Pank, como é chamada pelas ativistas, é procurada pela polícia da Inglaterra, por isso ela não aparece muito durante o filme. Mas quando aparece, segura o core!

Em uma de suas prisões, Watts é interrogada por Steed, investigador contratado para acabar com a causa das ativistas. Ele diz pra Maud que essa luta pelo sufrágio é uma causa perdida, que todas as ativistas vão ser presas e eque ela pode chegar a perder a vida por uma causa perdida. Maud, então, samba na cara dele. SEGURA ESSA MARIMBA MONAMU!

“O que vocês vão fazer? Prender todas nós? Nós estamos em todas as casas, nós somos metade da raça humana. Vocês não podem parar todas nós!”

Em outra de suas prisões, Maud resolve fazer greve de fome, mas é alimentada à força, os governantes tem medo de criar uma mártir. Na cena em que ela é alimentada à força, percebemos uma das guardas chorando por causa da atitude brutal daqueles que a alimentam. Isso nos faz refletir o quanto a mulher era submissa ao homem, naquela época. A atitude mais radical daquelas que faziam parte do movimento foi em 1913 quando Emily Wilding Davison se joga na frente do cavalo do rei numa corrida de cavalos. Assim, finalmente, o movimento recebe a atenção da imprensa, até o momento o governo manipulava a mídia para que ela não publicasse sobre.

Na minha concepção, a violência adotada pelas suffragettes foi a grande responsável pela conquista do voto feminino, já que, até 1903 nenhuma vitória havia sido obtida pela NUWSS. Com relação ao filme, ele é bem fiei à história do movimento, porém, ficou parecendo que todo o enredo se resumiu ao atropelamento e enterro de Emily. Pra mim, ficou faltando o desfecho do movimento sufragista. Sim, todos nós sabemos que o voto feminino foi concebido em 1918, mas quais foram as medidas tomadas pelas sufragistas após tal acontecimento que tornou o voto feminino realidade? Saca?

Pra terminar, porque o texto já tá imenso, com relação ao Teste de Bechdel, Suffragette passa totalmente. O núcleo de personagens principais é formado por mulheres com nomes de peso. Sonny, marido de Maud, pra mim, não é personagem principal. Elas conversam, sim, entre si, e não é sobre homem não viu! Além disso, podemos fazer um link entre o movimento sufragista inglês e o movimento sufragista americano, assunto de outro post do blog. O contato das sufragistas americanas  Alice Paul e Lucy Burns com o ativismo da WSPU fez com que elas fundassem a organização The Congressional Union e adotassem as táticas de militância agressivas das britânicas.

“Nunca se renda, nunca desista da luta”.

 

O artigo é de total responsabilidade da autora e não representa necessariamente a opinião do veículo.

 

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